Banda Euterpe, Portalegre / A Euterpe

História da Banda Euterpe

Da Monarquia à República (1884-1926)

O início da década de 1890 traz consigo alterações legislativas que obrigam a uma alteração na relação entre o Montepio e a Banda. Promove-se nesta altura a criação de uma escola de música, com regulamento e fundo próprios e que se tornará inseparável da Banda. Em 1894, sob a direção de Francisco Perdigão, tem origem a Escola Musical Euterpe e a Filarmónica Euterpe Portalegrense.

As mudanças não trazem prosperidade à associação. O elevado número de sócios a pedir auxílio ao Montepio Euterpe agravou o seu estado finaceiro. Até 1908 procuram-se medidas extraordinárias para aumentar as receitas. O Montepio procurava assim acompanhar o sucesso da Banda que se mantinha preenchida com ensaios e concertos.

A proclamação oficial da República chega em 1910, um ano que, para a Euterpe, se revelou muito preenchido por atuações, bem como pela comomoração dos 50 anos da associação. As celebrações ficaram marcadas pela realização de uma sessão solene intitulada "As Bodas de Ouro da Euterpe" e na qual João Dionísio Serejo, o único fundador vivo na altura, ofereceu um quadro onde figuravam todos os fundadores da Euterpe.

A República foi também sinónimo de novas mudanças no campo cultural e desportivo. Emerge o futebol e o ciclismo e Portalegre procura assimilar estas transformações. A Euterpe resiste e continua a adaptar-se às novas exigências. O Montepio, contudo, passava por tempos cada vez mais complicados e a sua importância na cidade vai diminuíndo. Em 1913 chegou a ser apresentada uma proposta para extinguir o Montepio Euterpe Portalegrense e Portalegre assustou-se com a ideia de perder uma das suas associações mutualistas e a Banda. Tratou-se apenas do prelúdio para o fim do Montepio Euterpe, cujas dificuldades se acentuaram com a entrada de Portugal na Primeira Grande Guerra Mundial, em 1916. A componente Mutualista e a Banda acabam por sobreviver, mas sem grande vitalidade nos anos que se seguiram.

(Baseado no trabalho de Renato Pistola e Sofia Lopes, para a Fundação Robinson)
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