Banda Euterpe, Portalegre / A Euterpe

História da Banda Euterpe

O Fim do Montepio Euterpe, A Vez da Sociedade Musical (1926-1974)

No dia 5 de junho de 1928 a Banda participa na receção feita pela cidade ao General Carmona, líder da Ditadura Militar instaurada em 1926 e que viria a preparar o país para o Estado Novo de Salazar. Este regime, oficializado em 1933, assumiu uma nova perspetiva sobre o associativismo em Portugal, construíndo mecanismos de controlo sobre muitas associações.

No que diz respeito ao mutualismo, o novo regime obrigou associações de menor dimensão a fundirem-se com organizações maiores. Com o seu reduzido número de sócios, a pouca expressão na cidade e os seus problemas financeiros, o Montepio Euterpe Portalegrense acabou extinto, através da fusão, conjuntamente com o Montepio Fraternidade, no Montepio Operário Portalegrense, a associação mutualista mais importante da cidade. A partir deste momento, Banda e Escola de Música passam a trilhar o seu futuro sozinhas, sob o nome de Sociedade Musical Euterpe.

Contando com perto de 40 elementos, a Banda surge, contudo, menorizada pelas instituições corporativas do regime. Para além disso, assiste-se a uma tentativa de transformar o perfil das festas realizadas no concelho de Portalegre a partir de 1944, com estas a passarem a ser puramente religiosas, estando proíbida a incorporação de bandas de música em procissões, com exceção feita às procissões dos Passos e do Enterro do Senhor. Apesar das limitações, a Banda atravessa um período de alguma tranquilidade, apenas afetado por dificuldades no campo financeiro.

Os anos passam por Portalegre e pela Banda. Em 1960, ano do centenário da Euterpe, cria-se uma campanha de angariação de sócios denominada "Campanha do Sócio do 1º Centenário". A iniciativa apresentava a instituição como "em risco de desaparecer". Para além desta ação, foi decidida a realização de um sorteio, cujo primeiro prémio foi um automóvel, e que visava melhorar a situação financeira da associação.

Os planos para o aumento das receitas revelaram-se um sucesso e foram complementados pela atribuição de importantes subsídios provenientes de várias instituições públicas e privadas. A importância das festividades do centenário são largamente reportadas pela imprensa local e nacional e são prova da vitalidade das associações na época.

Apesar dos bons resultados, a saída intempestiva do tesoureiro em funções em 1964 coloca a Euterpe uma vez mais numa situação problemática. As dificuldades são grandes e mesmo a nível musical o reduzido número de músicos nas saídas da Banda e a sua indisciplina são exemplos dos problemas relatados pela Direção. Estes fatores arrastam a população para um acentuado desinteresse pela Banda até à década de 1970.

(Baseado no trabalho de Renato Pistola e Sofia Lopes, para a Fundação Robinson)
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